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Dom Efémero, Rei e Senhor do Vazio

Atualizado: 13 de Nov de 2019

Em conversa com uma amiga ela perguntou algo do género “porque é que nós duas somos assim? Temos este vazio apesar das coisas e pessoas boas que nos vão aparecendo e acontecendo?”

E eu respondi: “Não sei… mas é lixado… é como que uma constante ingratidão para com a vida.”

Mas na verdade, para mim é muito mais do que isso. O vazio só existe quando já nos foi arrancado algo insubstituível. E quando isso acontece podemos apenas acordar e viver cada dia como um alcoólico em recuperação “um dia de cada vez”. Porque a partir do momento em que esse pedaço de nós nos foi arrancado fomos definitivamente apresentados ao Efémero. E esse individuo é pesado e egoísta, o Efémero quando se dá a conhecer, dá-nos um aperto de mão que deixa um rasgo fundo entre os pulmões. Que não cicatriza.

O efémero olha-nos de frente, sorri e instala-se … Deixa-nos viver num constante estado de dormência, como que numa realidade paralela onde por muitas alegrias que nos sejam presenteadas, sentimos que vivemos numa realidade alheia, em que não nos enquadramos. E isso é ingrato. É um sentimento ingrato com o qual vivemos diariamente na esperança de que um dia acordemos cicatrizados. É uma mentira bonita essa… porque na verdade sabemos perfeitamente que quando Dom Efémero se nos fez apresentar e nos aperta a mão, assinámos um contrato involuntário e vitalício. Somos contratados como mercadores do Vazio. Dom Efémero é dono do Mundo.

Salinas Figueira da Foz

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