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Mosteiro de São Salvador de Grijó

Atualizado: 25 de Jun de 2018

O Mosteiro de Grijó poderá ser mais conhecido por ser a última residência de D. Rodrigo Sanches, um dos vários filhos bastardos de D. Sancho I (rei da 1ª Dinastia) e D. Maria Pais Ribeiro (a famosa Ribeirinha que encantava com a sua beleza os nobres da corte), com quem aliás teve mais dois filhos e três filhas. O seu túmulo foi mandado construir pela irmã de D. Rodrigues Sanches, D. Constança Sanches por volta de 1263-64 sendo o monumento mais antigo de Grijó com cerca de 752 anos. É Monumento Nacional desde 1910, sendo considerado pioneiro em diversas inovações artísticas da arte tumular Portuguesa. No entanto a história do Mosteiro de Grijó começou com uma pequena igreja fundada em 922 e apenas em 1132 terá sido adicionado à Regra do Cónegos Regrantes de Sto. Agostinho, tendo sido durante o primeiro priorato entregue a D. Trutesindo pelas mãos de D. Teresa e D. Afonso Henriques e D. João Peculiar (Bispo do Porto) que lhes foram concedidas, pela Santa Sé, isenção episcopal e protecção Apostólica. Em 1527 D. João III deixou este Mosteiro para se unir à congregação da Stª. Cruz de Coimbra e nesse mesmo não alegando que o local era doentio e desagradável a comunidade mudou-se para a Serra de Quebrantões junto à cidade do Porto. Por sugestão do Marquês de Pombal, em 1770, D. Clemente IV determinou a extinção deste Mosteiro e grande parte dos seus bens foram transferidos para o Convento de Mafra, e em 1834 com a extinção das Ordens Religiosas as terras do Mosteiro foram anexadas aos bens do Estado e vendidas em asta pública (ora pois…). No entanto nos seus tempos áureos, o Mosteiro de Grijó foi ainda residência de D. Maria Pais Ribeiro que ali faleceu com mais de 90 anos depois de uma vida repleta de episódios dignos de enredo “Hollywoodesco”, uma vez que para além de ter sido amante do Rei D. Sancho I, terá ainda, após a morte deste em Coimbra, e ao regressar às terras que lhe haviam sido concedidas em Vila do Conde, sido raptada por Gomes Lourenço Viegas (levando-a para o reino de Leão) que por ela se tinha apaixonado quando ainda fazia parte dos “bens” Reais. Fazendo-se valer dos seus encantos D. Maria terá convencido Gomes Viegas de que também o seu amor era correspondido e que não haveria qualquer perigo em regressar a Portugal. Gomes Viegas “cego” e encantado acedeu aos pedidos de sua amada e acabou a pedido de D. Maria e por ordem do Rei executado. Parece-me que William Shakespeare era um grande fã da História de Portugal. Agradeço atenciosamente a disponibilidade de tempo e informações sobre a história deste Mosteiro que foram gentilmente concedidas à Road Trip Portugal. A título informativo o Mosteiro é também, durante os meses de Julho e Agosto, palco da exposição de arte sacra contemporânea "Ícones da Fé". Vale a pena a visita em qualquer altura. Boas Road Trips!


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