• Carl.Aventura

O barqueiro e os porquês...

Atualizado: 24 de Jan de 2019


Vem o dia em que acordamos e quase tudo faz sentido ou pelo menos pesa menos. O dia em que fazemos as pazes com a nossa própria mortalidade e a aceitamos como parte fundamental do percurso a que chamamos vida.

Nesse dia é-nos perfeitamente claro aquilo com que nos debatíamos até aí e termina a “idades dos porquês”. As únicas respostas que respondem a tudo sem se esforçarem por responder a coisa alguma são: “porque sim” e “porque não”.

Respostas simples, aparentemente vazias, que no entanto não carregam qualquer peso. São o descanso posto em palavras. Não digo que não se questione o que nos apetece, digo apenas que por muitas perguntas que se ponham e muitas respostas que se apresentem, tudo no fundo se resume a um “porque sim” ou “porque não”.

É assim igualmente simples a nossa mortalidade. “porque que morremos?” Porque sim… “porque não vivemos para sempre?” … porque não.

É a paz absoluta perante qualquer questão “aparentemente” importante.

Não há mais prisões e aceitamos o nosso percurso como uma estranha e descansada viagem co o barqueiro de Hades, carregando apenas a moeda para entregar à entrada do destino. Aceitamos que essa viagem fazemos sozinhos e que a chegada ao destino é apenas para cada um de nós, no barco não cabe mais ninguém. A única bagagem permitida é a presença “virtual” dos que nos querem bem e nos acompanham, ou melhor escolher acompanhar. Os outros tomaram a decisão de não o fazer como lhes é de direito. Porquê? Porque sim.

Aceitar nossa mortalidade, é aceitar que nem tudo irá correr como queremos e que não iremos ter sempre quem queremos, e que acima de tudo devemos agradecer (custe … ou … custe) ao s que decidiram não nos acompanhar, a honestidade da sua escolha.

Se parámos na margem e os convidámos e despendemos do nosso tempo e a decisão foi “não”, então não foi tempo perdido, foi o tempo necessário para uma decisão honesta que pode apenas ser apreciada.

A aceitação da nossa mortalidade é agradecer os que nos acompanham pela escolha que fizeram, apreciar o que nos é apresentado na sua presença ou a sós, mas acima de tudo honrar os que nos presentearam com a sua honestidade, permitindo-nos continuar a nossa viagem sem pesos, para que a moeda (alma) a entregar no destino não pese mais que as duas penas da verdade de Maat e nos permita sair do caminho (em todos os sentidos) para que outros continuem a sua viagem.

P.S. – no caso deste post parecer estranho e até algo sério, posso acrescentar que neste novo canto secreto de escrita que descobri, tenho

como música de fundo “I’m dreaming of a white Christmas” e tudo o que me vem á cabeça são piadas impróprias e politicamente incorrectas da Klu Klux Klan………. Porque sim!

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