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O tal do contentamento descontente.

Atualizado: 24 de Jan de 2019

Será que é mesmo inerente à condição humana nunca estar satisfeito?

Será que somos mesmo capazes de atingir a tal da “felicidade”? Ou será que é a obsessão com essa senhora que causa a tal insatisfação? Se ninguém consegue descrever a felicidade ao certo como é que podemos esperar alcançá-la?

A felicidade é um todo ou um conjunto? Ninguém fala em gratidão quando as coisas correm mal, já quando tudo corre bem devemos estar gratos e se não estivermos somos ingratos. Uns pirralhos mimados sempre prontos a fazer birra porque apesar de algo ter corrido bem não é o suficiente para acalmar aquele vento sombrio que faz questão de nos acompanhar mesmo nos perfeitos dias de Sol como se tivéssemos a nossa própria nuvem de trovoada, sempre pronta a lembrar-nos que aparentemente o Sol “só brilha para os outros”…

Surgem automaticamente os mandamentos da sabedoria “tem calma, tudo vai ficar bem”, “as coisas acontecem quando têm de acontecer”, “nem sempre a vida nos dá o que queremos, mas sim o que precisamos”, “um dia vais entender”…

Eu não quero ter calma porque vivo no presente, e se é no presente que tudo não está bem então não me falem no futuro, porque esse é tão incerto quanto a própria certeza, porque ao fim ao cabo ninguém tem certeza de nada.

As coisas devem acontecer quando precisamos que aconteçam e não quando o Universo se lembra, caso contrário somos todos fantoches presos a fios invisíveis cujo controlador ninguém conhece, ficando apenas uma “ligeira” impressão de que não passa de um torturador sórdido que nos dá algo que nem sabíamos que queríamos, para que ficássemos a saber o quanto queríamos e de seguida nos arrancar junto com uma palmadinha nas bochechas e um sorriso na cara ao mesmo tempo que nos diz “vá lá… não fiques assim, não era para ser.”

A vida não nos dá nada. Nada. Experimentemos ficar sentados a olhar para uma parede e vermos o que a vida nos dá. Nada. Por isso como é que a “vida” se pode sentir no direito de decidir entre o que eu quero e o que eu preciso, ou sequer de achar o que é melhor para mim.

A vida não decide nada, o que decide é o ciclo de vida. O resto é o resultado de decisões, falta delas e como dizia o outro “um conjunto de infelizes acontecimentos”.

A felicidade como um só “ser” não existe. É um puzzle de momentos alegres que se vão encaixando no meio dos outros.

A felicidade é o conjunto de peças que preenche o espaço existente no Contentamento Descontente, só que nem sempre temos peças suficientes que encaixem.

Coimbra

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